VALE DO CAFÉ, RJ - Disputa judicial entre Governo e K-Infra deixam abandonados trabalhadores e a própria BR-393
Crescem os riscos para quem viaja pela Rodovia Lúcio Meira (BR-393), no trecho que corta parte do interior do Estado do Rio, especialmente no Vale do Café.
O representante comercial Jeferson Santiago, de 41 anos, morador de Minas Gerais, mas que circula pela “rodovia do aço”, ao menos 10 vezes por mês, relata que nas últimas semanas, aumentou muito a quantidade de buracos no asfalto entre Volta Redonda e Três Rios, trecho percorrido por ele.
“Eu sempre passo por aqui, e dessa última vez, caí com as rodas num grande buraco na pista, próximo a Vassouras, e estourou meu pneu direito dianteiro. Por pouco não capotei o carro. E não tive socorro. Apenas um outro motorista que parou para me ajudar. Um absurdo como está a condição do asfalto e ninguém faz nada. Pelo menos eu não vejo”. Relata o motorista se referindo ao “abandono” da manutenção da pista. O caso dele não é único e, apesar de não haver números oficiais, os relatos crescem pelas redes sociais.
Já faz cerca de três meses, que não há mais cobrança das tarifas nos pedágios, mas também não há manutenções eficientes na pista por parte do DNIT, e não há mais socorro médico e nem o apoio veicular, caso o motorista precise.
Direitos Trabalhistas não pagos: Parte dos cerca de 500 trabalhadores, muitos deles chefes de famílias, estaria até hoje, sem receber seus direitos trabalhistas, com a rescisão de contrato. A empresa K-Infra tinha em seu quadro, cerca de 400 funcionários diretos e outros 200 terceirizados, entre socorristas, médicos e outros.
> Valor Total das indenizações Trabalhistas: R$7 milhões + R$ 700 mil de multas.
> Valores já pagos aos trabalhadores somam R$3.300 milhões: Alguns grupos desses trabalhadores, vem se reunindo em frente a empresa K-Infra em Vassouras, e em outros pontos da pista. Eles cobram o pagamento de seus direitos. “Entre a briga desses grandões {se referindo à União e a empresa} quem saiu prejudicada fomos nós, os trabalhares e trabalhadoras, que não recebemos nosso dinheiro. Já está faltando comida na minha casa. Sempre é o mais fraco que sai perdendo. No caso nós os trabalhadores”, comentou uma funcionária administrativa, mãe de 3 filhos, moradora de Barra do Pirai, que pediu para não ter o nome divulgado.
Entenda o caso: Já faz alguns meses que o Governo Lula, por meio do DNIT via ANTT, vinha pressionando a concessionária K-Infra sobre o fim da relação contratual. A caducidade { interrupção do contrato na justiça } se deu há cerca de 90 dias e a empresa foi obrigada, inclusive de forma coercitiva, com a presença policial, a abandonar as operações na BR-393.
K-Infra: A empresa alega que tem direito a uma indenização do Governo Federal, ainda não paga, e que enfrenta problemas financeiros para honrar todos os seus compromissos trabalhistas e com fornecedores.
Em entrevista exclusiva à Revista Acontece Interior, Neliton Goes, diretor da empresa, explicou a difícil situação:
"A forma como seu deu o rompimento unilateral do contrato por parte do Governo Federal, sem a execução de um plano de transição operacional, nos deixou em situação muito difícil financeiramente. Eles nos tiraram, até com a força policial, das operações, interrompendo nossa única fonte de faturamento que é o pedágio. Com isso, sem receita, estamos impossibilitados de pagar o total dessas rescisões. Mesmo assim, estamos buscando outros recursos para cumprir nosso papel e vamos honrar nossa parte." Disse Neliton Goes.
Qual o valor estimado que o Governo Federal deveria pagar à K-Infra à título de indenização? "Certamente ainda haverá muita discussão judicial, pois nosso patrimônio, que deve entrar nos cálculos, está se deteriorando e com isso perdendo valor. Inicialmente, chegou-se a falar em R$ 600 milhões de indenização pela caducidade. Mas acredito que pela forma como vem sendo conduzido esse processo, os valores já devam ter caído muito. Nós da empresa, somos o elo mais fraco nessa relação. O governo tem até a força policial e toda estrutura governamental". Disse Neliton Goes.
Obs: Se houver, a qualquer momento, a manifestação de outros citados nessa reportagem, aos quais não conseguimos contato, essa manifestação será atualizada na reportagem.
EDITORIAL AI: O abandono dos trabalhadores e da própria rodovia está evidente para todos que circulam por ela e que queiram ver a realidade. A empresa alega dificuldades financeiras. A responsabilidade é da União, por ser uma rodovia Federal. Mas também não se vê ações concretas, ainda que cobranças políticas, de nenhum dos outros entes federativos, inclusive municipais, no sentido de solucionar os problemas e de dar atenção, principalmente aos trabalhadores que já começam a enfrentar insegurança alimentar. Nem com relação à segurança dos motoristas, que dirigem em meio a inúmeros buracos no asfalto, está se fazendo algo.
A morosidade dos entraves judiciais, e a ineficiência da comunicação, transparência e soluções com celeridade, vem fazendo aumentar os riscos de vida de milhares de motoristas que cruzam todos os dias, ironicamente, a chamada “Rodovia do Aço”. Situação que prejudica, não só motoristas e os trabalhadores, mas o turismo no Vale do Café, a economia das cidades e até a credibilidade para se escolher uma outra empresa, ou até a retomada temporária da K-Infra, o que poderia trazer novamente a normalidade a uma das principais rodovias do país. A BR-393.
