Vassouras, RJ – Auxilio-saúde para políticos recebem críticas nacionais e gera uma crise institucional.
O que foi decidido no apagar das luzes, pela Câmara Municipal de Vassouras, em um fim de ano já marcado pela precariedade financeira, ganhou luz e virou alvo de críticas nacionais nos últimos dias.
Os vereadores, que tem como presidente do legislativo, o parlamentar José Maria Capute, aprovou sem debate público, em dezembro, um polêmico auxílio-saúde para agentes políticos.
A medida surge em meio à pior crise financeira da história do município -resultado de gestões sucessivas que acumularam dívidas e desequilíbrios.
Em uma dessas administrações, a atual prefeita Rosi Silva, ocupava o cargo de vice, o que reforça a percepção de continuidade da crise.
Entenda o auxílio-saúde: A proposta, sancionada no fim de 2025, garante ressarcimento de despesas médicas, odontológicas e hospitalares para vereadores, prefeita, vice-prefeito e secretários municipais.
O benefício cobre consultas, exames, internações, próteses, óculos e até procedimentos cirúrgicos, sendo pago mensalmente de forma indenizatória.
A decisão foi tomada sem qualquer consulta popular, em um cenário de filas, falta de médicos e escassez de recursos na rede pública de saúde.
Salários e benefícios: Dados oficiais mostram que os vereadores de Vassouras recebem cerca de R$ 8.200 mensais, enquanto a prefeita Rosi Silva tem remuneração em torno de R$ 18.000, mas pode chegar a mais de R$20.000. O vice-prefeito, Cássio Cardoso, conhecido como Cassinho, recebe vencimentos próximos aos da prefeita. Já os secretários municipais recebem aproximadamente R$ 12.000.
Em contraste, a maioria dos servidores públicos municipais recebe entre R$ 1.500 e R$ 2.500, e ainda enfrenta descontos de até 20% nos salários, quando afastados por doença, além da obrigatoriedade de continuar contribuindo para o fundo previdenciário municipal.
A disparidade entre os privilégios do alto escalão e a realidade da base funcional, é vista como um retrato da desigualdade institucional.
Críticas e indignação: O ex-vereador e advogado Victor Setaro, foi um dos primeiros a denunciar publicamente o auxílio-saúde, classificando-o como “uma aberração” e lembrando que "enquanto os pólíticos garantem plano de saúde particular pago com dinheiro público, os servidores são penalizados por adoecer", publicou Setaro em suas redes sociais.
As críticas ganharam repercussão nacional, ampliadas por publicações em redes sociais e veículos regionais.
Um servidor municipal, sob anonimato, afirmou: “Enquanto eles garantem plano de saúde pago com dinheiro público, nós somos punidos por ficar doentes. É revoltante.” Outro funcionário declarou: “A cidade está abandonada, falta tudo nos postos de saúde, e eles legislam em causa própria.” Declarou também sob a condição de anonimato.
O silêncio das autoridades e dos vereadores: Até o momento, nem a presidência da Câmara Municipal, nem a prefeita Rosi Silva, nem o vice Cassinho ou os secretários, se pronunciaram sobre as críticas. O silêncio institucional tem sido interpretado como desprezo pela opinião pública e reforça a sensação de falta de transparência.
Nenhum vereador também se manifestou sobre o tema, mesmo diante da indignação popular. A ausência de posicionamento dos parlamentares, que representam os interesses da população, também é alvo de duras críticas.
Repercussão: A polêmica ultrapassou os limites de Vassouras e já repercute em nível nacional. A concessão de benefícios exclusivos a políticos em detrimento da população e dos servidores que sustentam a máquina pública, pode ser analisada pelo Ministério Público Estadual.
Análise: “Vassouras, conhecida por seu patrimônio histórico e importância no turismo fluminense, agora vê sua imagem manchada por decisões que remetem a um passado de desigualdade e concentração de poder. A população, estarrecida, aguarda respostas — e, sobretudo, mudanças.”

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