Por Adriano Lizarelli, CEO e jornalista do Grupo de Comunicação Acontece Interior / Colaboração da Sobrasa.
Uma sequência de afogamentos fatais, num período recente de dez dias só no mês de junho, acendeu o alerta para os riscos aquáticos no Brasil, mostrando que o perigo está presente desde o ambiente doméstico até áreas de lazer. Entre os casos recentes de maior impacto estão o de Sofia Emanueli, de 8 anos, que morreu após ter os cabelos sugados pelo sistema de sucção de uma piscina no Mato Grosso, e o de um bebê de um ano que caiu em um balde com água em sua residência. Paralelamente, mortes em uma represa no Distrito Federal, em um poço no Tocantins e de um turista em uma praia com bandeira vermelha em Arraial do Cabo (RJ) reforçam a amplitude do problema.
Números de saúde pública: Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), o Brasil registra cerca de 5.742 mortes por afogamento anualmente. O problema é a segunda principal causa de óbito entre crianças de 1 a 4 anos, sendo que quatro crianças morrem afogadas diariamente no país.
"A maioria dessas ocorrências está relacionada à falta de supervisão adequada, barreiras de proteção e conhecimento sobre os riscos. Os afogamentos acontecem em locais muito diferentes, o que demonstra que qualquer ambiente com água exige atenção e medidas de segurança", alerta o médico e secretário-geral da SOBRASA, Dr. David Szpilman.
Um especialista em segurança aquática ouvido pela revista Acontece Interior revela que, especialmente nas praias, a imprudência e a falta de atenção às orientações dos guarda-vidas são fatores determinantes para o aumento das tragédias no litoral.
"Em muitas ocasiões, os acidentes nas praias ocorrem por falta de respeito à sinalização. Existem bandeiras, placas e avisos claros indicando as condições do mar, mas muitas vezes as pessoas, no ímpeto de entrar na água ou por excesso de confiança, simplesmente ignoram o perigo e entram em áreas de risco", explica o especialista consultado pela reportagem.
Mobilização nacional:
Além disso, a entidade realizará simultaneamente em vários municípios o Workshop de Emergências Aquáticas. O foco é capacitar praticantes de esportes náuticos, como surfistas, nadadores de águas abertas e remadores, a reconhecer riscos e agir corretamente em situações de emergência. "O Dia Mundial da Prevenção do Afogamento é uma oportunidade para transformar informação em atitude e salvar vidas", destaca o Dr. David Szpilman.
Sobre a SOBRASA: Fundada em 1995, a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático é uma ONG sem fins lucrativos que reúne profissionais de saúde e oficiais do Corpo de Bombeiros. É a única instituição brasileira filiada à Federação Internacional de Salvamento Aquático (ILS), atuando como o principal conselho técnico do país focado em campanhas educativas e na redução dos índices de afogamento.

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