Rio de Janeiro, RJ, por Adriano Lizarelli, CEO e jornalista do Grupo de Comunicação Acontece Interior
A disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro subiu de tom e evoluiu para um confronto direto. Ao ser questionado no programa Balanço Geral RJ, da Record, sobre as recentes agendas do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em territórios sob influência do crime organizado, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) fez um questionamento direto. A fala, no entanto, provocou uma reação calculada de Paes, que utilizou o episódio como um trunfo político e elevou a temperatura da corrida ao Palácio Guanabara.
A polêmica começou quando Ruas declarou uma frase de forte impacto direcionada às movimentações de Paes nas comunidades."Quem entra em comunidade dominada pelo crime, necessariamente tem relação com o crime."
A investida contra o ex-prefeito carioca abriu margem para uma resposta imediata. Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo Paes rebatia a narrativa do adversário ao exibir imagens do próprio Douglas Ruas e do ex-governador Cláudio Castro em atos de campanha no Salgueiro e no Jardim Catarina, em São Gonçalo, áreas conhecidas pelo domínio territorial do tráfico e por barricadas.
Com tom incisivo, Paes rebateu a colocação do rival, classificando-a como um desrespeito aos moradores e direcionando a crítica à situação política na cidade do próprio oponente:
"É um profundo desrespeito com quem mora nesses locais. São pessoas de bem, trabalhadores que vivem sob o jugo do crime por consequência de oito anos de desgoverno. Entrar na comunidade para ouvir a população não associa ninguém ao crime. Quem mora lá não tem culpa disso."
O pré-candidato do PSD destacou ainda que São Gonçalo, reduto gerido pelo pai do deputado, o prefeito Capitão Nelson (PL), enfrenta há anos a expansão de facções criminosas, local onde o grupo político de Ruas historicamente também realiza atos públicos de campanha.
Propostas opostas para o combate ao crime: O episódio escancarou dois diagnósticos radicalmente opostos para o futuro da segurança pública fluminense.
Em sabatinas pela imprensa, Douglas Ruas defendeu que a solução passa centralmente pelo estrangulamento da entrada de armas de guerra e entorpecentes pelas divisas do estado, cobrando maior protagonismo do Governo Federal:
"Mais de 900 fuzis apreendidos no ano passado não foram produzidos no nosso território. São armas e drogas que chegam do exterior com extrema facilidade aos nossos centros urbanos."
Já Eduardo Paes aposta no discurso de integração policial, presença ostensiva do Estado e enfrentamento para devolver o controle territorial ao poder público:
"O Estado tem que voltar a ter moral e unificar as forças policiais para enfrentar o crime organizado de frente. Seja Comando Vermelho, PCC ou milícia, a determinação é agir com firmeza para recuperar a autoridade nas ruas."
Com a escalada das declarações, o embate confirma que a segurança pública não será apenas a principal vitrine de propostas, mas o terreno mais conflagrado da disputa pelo comando do Estado do Rio de Janeiro.

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