Rio de Janeiro, RJ — Por colaboração de Fátima Gomes e Fotos de Alex Ramos (Secom Alerj)
O Estado do Rio de Janeiro ocupa o segundo lugar no ranking nacional de pessoas em situação de rua, somando 35.406 registros oficiais no Cadastro Único (CadÚnico).
A capital lidera isoladamente os dados estaduais, concentrando mais de 22 mil pessoas nessa condição de extrema vulnerabilidade social.
Diante desse cenário complexo, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) tem atuado na criação de marcos legais para estruturar uma rede efetiva de acolhimento, saúde e oportunidades de trabalho.
Há casos de superação, como o do escritor Leonardo Motta, que viveu nas ruas por mais de um ano após enfrentar a dependência química. Hoje, sóbrio há nove anos e com três livros publicados, ele destaca o papel essencial da rede de apoio.
"O que me levou a essa situação foi a dependência química. Consegui sair das ruas quando aceitei ajuda e fui para uma instituição de tratamento, onde permaneci por sete meses. O conselho que deixo é que a pessoa aceite ser ajudada. De um lado existe quem ajude, mas do outro é preciso aceitar", relata Leonardo, que também edita a “Revista na Calçada”.
Entre as legislações que dão base a esse suporte estão a que institui a Política Estadual para a População em Situação de Rua, e a que assegura transparência na divulgação de vagas em abrigos públicos.
O estado também protege gestantes e mães por meio da Lei 10.766/25, garantindo atendimento pré-natal e parto humanizado. Essa retaguarda jurídica foi determinante para a reconstrução de vida de Loanda de França de Souza, de 52 anos.
Após o desaparecimento dos filhos, ela buscou refúgio nas ruas, onde enfrentou a fome, a violência e o vício, chegando a definhar com 35 quilos. A virada para ela ocorreu ao buscar atendimento no Cras de Santa Cruz.
"Meu desespero foi tão grande que tentei fugir da dor e fui morar na rua. Cheguei a pesar 35 quilos. Mas hoje sou feliz, tenho meu trabalho e minha casa. Quero estudar para ajudar outras pessoas que vivem a realidade das ruas", conta Loanda que, após o suporte, passou a integrar a equipe de cozinheiras de uma escola municipal.
Reflexão: Leonardo e Loanda são exemplos que a superação da vulnerabilidade vai além do esforço pessoal, dependendo de uma articulação contínua entre o poder público e a sociedade para transformar leis em oportunidades reais de recomeço.

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