Volta Redonda, RJ. Por Adriano Lizarelli, CEO e jornalista do Grupo de Comunicação Acontece Interior.
O tradicional domingo de feira livre na Vila Santa Cecília transformou-se no primeiro grande palco da campanha eleitoral de rua em Volta Redonda. No principal centro comercial da maior cidade do Sul Fluminense, a praça e os estacionamentos foram tomados por bandeiras, adesivaços e distribuição de panfletos.
Candidatos a deputado e seus cabos eleitorais disputavam a atenção do público. A movimentação intensa dividiu opiniões no local.
Para a aposentada Maria Ângela Salgado, 62 anos, a rotina de quem frequenta o espaço acaba prejudicada.
"A gente entende a democracia, mas a falta de educação de muitos cabos eleitorais e a sujeira no chão acabam perturbando quem quer apenas caminhar e fazer suas compras em paz", criticou.
O impacto no fluxo é acompanhado de perto por quem trabalha na feira. Um representante dos Feirantes ressaltou a importância do equilíbrio durante este período.
"A feira recebe cerca de 4.200 pessoas a cada domingo e a política costuma aumentar esse movimento, o que é bom. Mas exigimos organização para que a militância não atrapalhe o trânsito dos clientes e o andamento das bancas", comentou.
Ausência da disputa estadual e o alerta para o líder
Além do movimento intenso, o panorama levantado pela reportagem revelou um contraste político.
Enquanto a militância para cargos proporcionais e os grupos ligados ao senador Flávio Bolsonaro e a Lula marcavam presenças, notou-se um vácuo de estruturas voltadas para a disputa ao Palácio Guanabara.
Chamou atenção a falta de mobilização de nomes como Douglas Ruas e Anthony Garotinho. A ausência chama ainda mais atenção em relação a Eduardo Paes, pré-candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado e tem o Sul Fluminense como um de seus territórios de relevância política.
Embora goze de folgada vantagem nos levantamentos estaduais, a falta de militância visível nas ruas da cidade abre um sinal de alerta para a necessidade de fincar bandeira no maior colégio eleitoral da região.
Por outro lado, o contato direto com as candidaturas encontra defensores entre os eleitores da cidade. Para o comerciante Carlos Eduardo Mendes, 48 anos, a presença física ainda faz diferença no processo de decisão.
"É o momento de conhecer melhor os candidatos. A presença nas ruas facilita ver quem realmente está disposto a apresentar propostas para nossa região", opinou.
Um analista político ouvido pela nossa equipe avaliou o cenário observado na Vila Santa Cecília neste início de campanha.
"A polarização nacional e o foco nas candidaturas de deputados são naturais no primeiro momento. No entanto, a ausência da disputa majoritária em um polo estratégico como Volta Redonda mostra que as articulações ao Palácio Guanabara precisam sair das conversas de cúpula e ir para o corpo a corpo com o eleitor", analisou.

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