Rio de Janeiro, RJ — Por Adriano Lizarelli, CEO e jornalista do Grupo de Comunicação Acontece Interior
A capital fluminense tornou-se a primeira metrópole do país a banir sumariamente a publicidade de plataformas de apostas online, as populares bets, nos espaços públicos urbanos.
Respaldado por decreto do prefeito Eduardo Cavaliere, o município iniciou uma ofensiva direta contra o marketing agressivo e traiçoeiro do setor, impulsionado por um dado alarmante da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O estudo mostra que as apostas online já teriam drenado cerca de R$ 143 bilhões do varejo nacional, asfixiando o comércio local e o orçamento das famílias.
Em pronunciamento oficial, o prefeito foi enfático sobre a urgência de frear essa exploração.
"As BETs são uma praga e nós decidimos fazer do Rio o exemplo nacional no combate à praga das BETs. Espaço público existe para servir à população, não para incentivar um enorme problema social", declarou Eduardo.
A reação municipal foi além da teoria e já é visível na prática. Uma força-tarefa da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) e da Comlurb está cobrindo com enormes lonas azuis os grafites e murais artísticos patrocinados por essas marcas em bairros e comunidades cariocas.
A tática de 'guerrilha urbana' utilizava pinturas com a palavra "CONFIA" em destaque, conhecido como um gatilho psicológico desenhado para estimular o otimismo cego, enquanto as advertências obrigatórias sobre os riscos de vício eram camufladas em letras miúdas no rodapé dos muros, sob o pretexto de apoio à cultura.
Cavaliere defendeu o rigor dessa fiscalização nas ruas comparando a iniciativa às históricas políticas antitabagistas adotadas pelo país.
"Durante anos, o Brasil enfrentou o tabagismo com informação, restrições à propaganda e políticas públicas consistentes. O resultado foi uma queda histórica no número de fumantes. Quando o risco é coletivo, o poder público tem o dever de agir. Com as BETs, o princípio é o mesmo."
A proibição total atinge abrigos de ônibus, painéis eletrônicos, outdoors e qualquer publicidade exterior que dependa de licença municipal, estendendo-se até mesmo a grandes eventos organizados pelo município, como o Carnaval e o Réveillon.
O veto tenta estancar um dreno financeiro severo que empurra milhares de cidadãos para a ruína familiar, protegendo os vulneráveis do assédio dessas plataformas.
"Essa decisão não é contra quem faz uma aposta por escolha própria. É contra uma indústria que passou a ocupar ruas, avenidas, pontos de ônibus e outros espaços públicos para estimular um comportamento que pode levar ao endividamento, ao vício e à destruição de famílias", disse Cavaliere.
Com o banimento nas ruas, o objetivo é evitar que essa fuga massiva de recursos continue deixando de circular na compra de itens essenciais, como alimentação e vestuário.
As concessionárias e marcas que desafiarem a nova regulamentação na capital estarão sujeitas a multas diárias pesadas e à cassação de seus alvarás.
Análise Acontece Interior: “O posicionamento firme da administração municipal merece reconhecimento. Sob a liderança de um prefeito jovem que assumiu recentemente o Palácio da Cidade, o Rio demonstra pulso firme diante de uma questão que corrói a situação socioeconômica do país. A medida corajosa ultrapassa as fronteiras da capital e serve como um modelo indispensável para outras regiões do estado e do Brasil. Ao priorizar a saúde financeira do cidadão sobre os interesses de uma indústria bilionária, Eduardo estabelece um novo patamar de responsabilidade pública.”

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