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Sabado, 13 de Julho de 2024

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BOM JESUS DO ITABAPOANA: EM MEIO AO CAOS DOS TEMPORAIS NASCEU A UNIÃO E ESPERANÇA EM ESCOLAS PÚBLICAS

Secretária Estadual de Educação Roberta Barreto foi acompanhar de perto o trabalho de servidores e voluntários

BOM JESUS DO ITABAPOANA: EM MEIO AO CAOS DOS TEMPORAIS NASCEU A UNIÃO E ESPERANÇA EM ESCOLAS PÚBLICAS
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BOM JESUS DE ITABAPOANA, RJ - União de servidores e voluntários na limpeza de escolas. Colaboração de Willian Montarroyos e fotos de Ellan Lustosa. 

O caos causado pelos recentes temporais no Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, ainda é visível. Apesar da limpeza, ainda há lama que  atingiu todos os cantos. Foi devastador e assustou. 

Mas, apesar da dor e da tristeza deixadas pelos temporais, como por exemplo, em Bom Jesus de Itabapoana, há exemplos de superação com a união dos servidores públicos e 
voluntários.

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A secretária Estadual de Educação, Roberta Barreto, viajou ao Noroeste Fluminense, a pedido do Governador Cláudio Castro, com o intuito de usar as estruturas da Secretaria e do Estado, para a recuperação das Escolas. 

Lá, ela encontrou exemplos,  como de uma ex-merendeira do Colégio Estadual Alcinda Lopes Pereira Pinto, no nono distrito Usina de Santa Isabel, em Bom Jesus do Itabapoana. 

A unidade educacional, sempre foi conhecida também, por ser um ponto de apoio para a pequena comunidade, sempre que o rio Itabapoana transborda, para receber desabrigados e quem precisasse de socorro. 

Mas a intensidade destes recentes temporais, atingiu até mesmo esse refúgio. 

Vizinha da Escola, Silvia Pádua de 57 anos, foi procurada ainda na madrugada, pela porteira do colégio, com o pedido para que abrisse a escola porque, desta vez, ela {a porteira} não tinha como abandonar a sua casa, que também foi castigada pela inundação. 

Deixando esposo, netos e familiares em casa, a cozinheira foi a primeira a chegar na escola.

“Tenho muito carinho por essa unidade aqui. Eu até consegui por no alto, o máximo possível de moveis, computadores e outras coisas, para evitar que estragassem. Tinham também documentos e mantimentos, muitas vezes os únicos aqui da região.” Comentou Silvia. 

O esforço, apesar de ágil e reforçado por outros voluntários que foram chegando aos poucos, não foi tão rápido quanto a correnteza da água e lama. Houve muita destruição. 

Diversas famílias que tiveram suas casas atingidas pela cheia do rio, foram chegando à unidade escolar, onde permaneceram até a manhã do dia seguinte. Mas a água chegou acima da cintura.

“As pessoas sempre vem pra cá nesses momentos difíceis. Aqui tem até colchões, mas dessa vez não teve como ficar e fomos para a casa de um outro vizinho. A água foi subindo e eu fui trancando as portas para não levar os móveis. Meu amor por essa escola é muito grande. Eu trabalhei 17 anos aqui. Meus filhos e netos estudaram aqui e foi muito difícil ver tudo isso. Antes, as crianças brincavam e queriam comer toda hora, e alimentar eles era o que eu amava fazer. Sempre foi uma família pra mim. Os materiais a gente repõe, a escola vai voltar a funcionar. Tenho esperança que Deus não irá nos desamparar”, disse Silvia. 

Outros pais, mães, professores, servidores e alunos se juntaram à direção da escola, para limpar o que era possível. 

A diretora da Escola Lidete Oliveira de 60 anos, apesar de abalada, falou da esperança na recuperação do local. 

“Já temos alunos querendo saber quando a escola vai voltar, porque isso aqui é tudo pra eles e para nós também. É uma unidade que nunca foi roubada, nem pichada nesses 36 anos que eu trabalho aqui, 29 só na direção. A comunidade cuida da nossa escola, como está cuidando agora e ela está de pé! Meus professores, funcionários e alunos estão aqui comigo. Nós vamos recomeçar ainda que seja com quadro, carteiras e mesa, mas tenho certeza que a secretaria vai ajudar a nos reerguer”, contou. 

A unidade tem 90 alunos dos ensinos Fundamental II e Médio, e a esperança da diretora, foi logo ratificada pela secretária de Estadual de Educação. 

“A escola passará por uma grande obra de transformação e renovação do Governo do Estado.”, disse Roberta Barreto,  que deslocou equipes de limpeza e de conservação, onde as ações para restaurar a normalidade do ensino, foram priorizadas. 

“Chegamos aqui horas depois da tragédia. Esse mutirão foi inicial e contou  com apoio da secretaria de Meio Ambiente, da Empresa de Obras Públicas, e outros parceiros que vieram aqui para dar condições de um retorno imediato às atividades escolares. Em paralelo, o governador Cláudio Castro, me determinou a reforma geral da escola. Vamos entregar uma unidade completamente nova, que sirva também de abrigo, acolhimento e, principalmente, de muito conhecimento para a população”, garantiu a secretária Roberta Barreto. 

Ao saber dos planos do governo do Estado, Thierry Ribeiro de 12 anos, aluno da sétima série, e neto de dona Sílvia, ficou feliz ao ter certeza que a unidade não fechará as portas. Ele também foi um dos voluntários. 

“É triste ver o colégio que sempre foi nosso refúgio dessa forma. Eu estou ajudando porque amo muito minha escola e meus professores. Pra mim ela é vida, é harmonia e agora será um recomeço e com ajuda do Estado iremos repor todas as perdas. Tenho muita fé”, contou o jovem estudante. 

Escola como abrigo: Em outro ponto do município, na localidade de Boa Ventura, uma família de nove pessoas, que também teve sua casa atingida  pela força da água, encontrou no Colégio Estadual Sá Tinoco, um abrigo.  

“Não achei que o rio fosse encher tão rápido, acordei a família {9 pessoas} e saímos pra uma igreja e depois aqui pra a escola, onde nos deram apoio, tanto o Estado quanto a prefeitura. Devagarzinho e com fé vamos reconstruir tudo ”, comentou o costureiro e pai de três filhos, Antônio Miranda de 27 anos.

Com apoio de funcionários da prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana, eles seriam transferidos para um outro local, seguro e com estrutura. 

A matriarca da família Josinete Miranda de 56 anos, fez questão de falar em gratidão, ao relembrar a dedicação e carinho de quem os ajudou, no momento difícil da vida dela, dos filhos e netos.

“Na escola nos deram estrogonofe, arroz, feijão, batata, leite com chocolate e bolo. Nosso bebezinho tinha mamadeira quente toda hora. Fomos muito bem tratados. As crianças até já ganharam material escolar novo e logo logo vamos pra uma casa com tudo direitinho”, comentou. 

“Todos esses exemplos que vimos aqui, vindos de homens, mulheres, adultos e crianças, servidores e voluntários, somados às nossas equipes de limpeza do Estado, nos reforçam a tese de que, as nossas escolas vão além dos muros e das salas de aula. Afinal, educação é a base para uma sociedade unida.” Finalizou Roberta Barreto.

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